 como a
neve e espetadas como um espinheiro enquanto ele se
recuperava dos ferimentos; já quase parecia ele mesmo de
novo.
- Meu pai não teria dado a Edmure a defesa de Correrrio a
menos que estivesse muito doente - disse ela, preocupada. -
Devia ter sido acordada assim que esta ave chegou.
- Meistre Colemon disse-me que a senhora sua irmã achou
melhor deixá-la dormir.
- Devia ter sido acordada - insistiu Catelyn.
- O meistre disse-me que sua irmã planeja ter uma conversa
com a senhora depois do combate - Sor Rodrik respondeu.
- Então ainda tenciona ir em frente com esta farsa? - Catelyn
fez uma careta. - O anão a tocou como se fosse uma gaita,
mas ela é surda demais para ouvir a melodia. Aconteça o que
acontecer esta manhã, Sor Rodrik, já é mais que tempo de
nos retirarmos. Meu lugar é em Winterfell com meus filhos. Se
estiver suficientemente forte para viajar, pedirei a Lysa uma
escolta para nos levar a Vila Gaivotas. Podemos apanhar um
navio lá.
- Outro navio? - Sor Rodrik ficou ligeiramente verde, mas
conseguiu não estremecer. -Como quiser, senhora.
O velho cavaleiro esperou à porta dos aposentos enquanto
Catelyn chamava os criados que Lysa lhe dera. Enquanto a
vestiam, pensou que, se falasse com a irmã antes do duelo,
talvez fosse capaz de fazê-la mudar de ideia. Os planos de
Lysa mudavam com os seus humores, e estes mudavam de
hora em hora. A acanhada jovem que conhecera em Correrrio
tinha se transformado numa mulher que era alternadamente
orgulhosa, atemorizada, cruel, sonhadora, imprudente,
medrosa, teimosa, vaidosa e, acima de tudo, inconstante.
Quando aquele seu nojento carcereiro viera rastejando lhes
dizer que Tyrion Lannister desejava confessar, Catelyn
insistira com Lysa para que o anão fosse trazido somente a
elas, mas não, nada estaria bom a menos que a irmã
conseguisse um espetáculo para metade do Vale. E agora
isto...
- O Lannister é meu prisioneiro - disse a Sor Rodrik enquanto
desciam as escadas da torre e avançavam através dos frios
salões brancos do Ninho da Águia. Catelyn vestia lã cinzenta
sem ornamentos e um cinto prateado. - Minha irmã tem de
ser lembrada disso.
À porta dos aposentos de Lysa, encontraram o tio saindo,
furioso.
- Vai se juntar ao festival de tolos? - proferiu bruscamente Sor
Brynden. - Eu lhe diria para enfiar algum bom-senso na sua
irmã a tapas, se pensasse que isso teria algum resultado, mas
só machucaria sua mão.
- Chegou uma ave de Correrrio - começou Catelyn -, uma
carta de Edmure...
- Eu sei, filha - o peixe negro que prendia seu manto era a
única concessão que Brynden fazia aos ornamentos. - Tive de
ouvir a notícia da boca de Meistre Colemon. Pedi à sua irmã
licença para levar mil homens experimentados para Correrrio
a toda pressa. Sabe o que ela me disse? O Vale não pode
prescindir de mil espadas, nem mesmo de uma, Tio, é o
Cavaleiro do Portão. Vosso lugar é aqui - uma rajada de risos
infantis soprou pelas portas abertas atrás dele, e Brynden
lançou um relance sombrio por sobre o ombro. - Bem, disse-
lhe que bem poderia arranjar um novo Cavaleiro do Portão.
Peixe Negro ou não, ainda sou um Tully. Partirei para
Correrrio ao cair da noite.
Catelyn não podia fingir surpresa.
- Sozinho? Sabe tão bem como eu que nunca sobreviveria à
estrada de altitude. Sor Rodrik e eu vamos regressar a
Winterfell. Venha conosco, tio. Eu lhe darei os seus mil
homens. Correrrio não lutará sozinho.
Brynden refletiu por um momento e depois concordou com
um aceno brusco.
- Será como diz. E o caminho maior para casa, mas assim é
mais provável que lá chegue. Espero por você lá embaixo -
foi-se embora a passos largos, com o manto rodopiando atrás
dele.
Catelyn trocou um olhar com Sor Rodrik. Atravessaram as
portas na direção do agudo e nervoso som do riso de uma
criança.
Os aposentos de Lysa abriam-se para um pequeno jardim, um
círculo de terra e plantas plantado com flores azuis e rodeado
por todos os lados de grandes torres brancas. Os construtores
tinham-no planejado como um bosque sagrado, mas o Ninho
da Águia era rodeado da pedra dura da montanha, e não
importava quanta terra era trazida do Vale, não conseguiam
que um represeiro ganhasse raízes ali. Assim, os senhores do
Ninho da Águia plantaram grama e espalharam estátuas por
entre pequenos arbustos floridos. Seria ali que os dois
campeões se defrontariam para colocar suas vidas, e a de
Tyrion Lannister, nas mãos dos deuses.
Lysa, recém-escovada e vestida de veludo creme com um
cordão de safiras e selenita ao redor do pescoço leitoso,
encontrava-se no terraço que dava para o local do combate,
rodeada pelos seus cavaleiros, servidores e senhores, grandes e
pequenos. A maior parte ainda acalentava a esperança de
desposá-la, dormir com ela e governar o Vale de Arryn a seu
lado. Pelo que Catelyn vira durante sua estadia no Ninho da
Águia, era uma vã esperança.
Uma plataforma de madeira fora construída para elevar a
cadeira de Robert; era aí que se sentava o Senhor do Ninho
da Águia, rindo e batendo as mãos enquanto um corcunda,
vestid